A Dinâmica do Crescimento e Distribuição: uma Revisão Sobre Os Modelos Heterodoxos de Crescimento

Nome: Bruno Henrique Picon de Carvalho
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 11/05/2016
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Robson Antonio Grassi Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Fábio Neves Perácio de Freitas Examinador Externo
Robson Antonio Grassi Orientador
Rogério Arthmar Examinador Interno

Resumo: O presente trabalho objetivou realizar uma revisão teórica da origem e evolução dos modelos heterodoxos de crescimento, com enfoque sobre a relação entre a distribuição e o crescimento, comparando os diferentes arcabouços, suas hipóteses e conclusões, demonstrando sempre as
inter-relações e embates teóricos entre essas escolas. A moderna teoria do crescimento teve como origem as contribuições independentes de Harrod e Domar, que desejaram construir um modelo Keynesiano para o longo prazo. A principal conclusão destes autores é que há apenas uma única taxa de crescimento de equilíbrio e, uma vez que o sistema se distanciasse desta,
passaria por uma longa depressão (caso se distancie para baixo) ou inflação (caso cresça acima). Este resultado foi criticado pela escola de Cambridge, que desenvolveu uma solução através da flexibilização da função poupança. Uma vez que os capitalistas poupam mais que os trabalhadores, qualquer redistribuição para os lucros elevaria a taxa de poupança, e a diminuiria com o aumento dos salários. Através deste mecanismo, a estabilidade poderia ser
obtida, e haveria uma relação inversa entre distribuição e crescimento. Paralelamente, Kalecki desenvolveu sua teoria da demanda efetiva, a situando em um ambiente caracterizado pela presença de oligopólios e preços formados via mark-up. Ademais, o autor conclui que há uma relação direta entre crescimento e acumulação, pois o aumento salarial não induz à queda
dos lucros. Por sua vez, Josef Steindl utilizou o arcabouço kaleckiano para construir uma explicação endógena para a tendência do capitalismo maduro para a estagnação em contraposição à explicação dominante relacionada à redução das inovações tecnológicas. Conforme o autor, na presença de oligopólios a única maneira da firma reagir a um choque negativo sobre a acumulação de capital é através da redução da utilização da planta. Entretanto, a ociosidade resultante torna os empresários resolutos em realizar novos
investimentos, estagnando a economia. Como os teóricos do crescimento Keynesianos viam a necessidade de abandonar a hipótese de pleno emprego presente na escola de Cambridge, os mesmos buscaram inspiração em Kalecki e Steindl, dando origem aos modelos neokaleckianos. Nestes, assim como em Steindl, há uma relação direta entre distribuição e crescimento, de maneira que a concentração de renda e elevação do mark-up induziriam um processo de estagnação. Os neo-kaleckianos receberam dois tipos distintos de crítica, a
primeira consistindo na recusa da instabilidade presente no longo prazo neo-kaleckiano, que não seria compatível com uma posição de equilíbrio de longo prazo e a segunda, relacionada à existência da relação positiva entre distribuição e crescimento, das quais se destaca análise a de Bhaduri e Marglin (1990), que foi totalmente assimilada. Conforme estes autores, o aumento dos salários reais possui dois efeitos distintos, a elevação do consumo e a redução do investimento. Caso o primeiro efeito seja superior ao segundo, haverá um incentivo sobre a demanda, e assim, estaremos no regime wage-led. Por sua vez, caso a redução do investimento seja mais acentuada, a melhoria salarial reduzirá a demanda total, caracterizando o regime profit-led. Logo, a relação entre distribuição e acumulação dependerá de como a decisão empresarial reage a modificações na taxa de lucro e, portanto, não pode ser definida a
priori. Deste modo, foi possível concluir que a evolução dos modelos heterodoxos de crescimento não ocorreu de forma linear e harmônica, com um paradigma substituindo o outro, mas sim através de um processo complexo, pois muitos argumentos foram desenvolvidos de maneira paralela ou retornando mais tarde sobre nova roupagem.

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