CRISES ECONÔMICAS BRASILEIRAS: PERSISTÊNCIA E PROFUNDIDADE DAS RECESSÕES E VELOCIDADE DAS RECUPERAÇÕES

Resumo: De acordo com o Comitê de Datação do Ciclo Econômico (Codace) da Fundação Getúlio Vargas, a economia brasileira passou por um processo de recessão muito forte desde o segundo trimestre de 2014, com término no quarto trimestre 2016, sendo esta a mais longa e profunda entre as nove datadas pelo comitê, desde os anos 1980, apresentando uma queda de cerca de 9% do PIB (produto interno bruto) brasileiro.

O National Bureau of Economic Research (NBER), é uma organização privada, sem fins lucrativos e apartidária norte-americana, que desde a sua fundação em 1920 se ocupa, dentre outras atividades, de examinar os ciclos de negócios e o crescimento econômico de longo prazo dos EUA. Desde 1978, é de responsabilidade do Business Cycle Dating Committee (BCDC) manter uma cronologia dos ciclos de negócios americanos, ou seja, detectar turning points (picos e vales) da atividade econômica. Para a detecção desses pontos críticos, são utilizados vários indicadores, tanto da economia como um todo (e.g., produto interno bruto real, medido sob as óticas do produto e da renda, emprego e renda real) como setoriais (e.g., o índice de produção industrial do Federal Reserve).

Assim como o Codace acompanha e avalia os ciclos econômicos do país, alguns trabalhos, como o de Issler, Notini & Rodrigues (2009), no qual estabeleceu-se uma cronologia das recessões brasileiras a partir da construção de indicadores coincidentes da atividade econômica nacional, caracterizam um esforço descentralizado de se preencher essa importante lacuna. Utilizando metodologia diferente, mas com objetivo similar em mente, pretendemos contribuir para o estudo dos ciclos econômicos no Brasil.

Uma recessão deve ser entendida como "um período de declínio no produto, renda, emprego, e comércio, com duração em geral de seis meses a um ano, e marcado por contrações amplamente difundidas em muitos setores da economia". É de suma importância o estudo relativos às crises econômicas, uma vez que suas implicações geram impactos diretos sobre o bem-estar das famílias, não se restringindo à já conhecida relevância teórica, mas apresentando também potenciais desdobramentos de cunho social e político

Com o intuito de contribuir para a identificação de todas as crises brasileiras desde 1947 até 2018, bem como seus períodos de recessão e recuperação, partiremos da construção de uma série anual do produto interno bruto (PIB), focando na análise de dados trimestrais.

Mais do que simplesmente localizar os turning points da atividade econômica, contudo, será empreendida uma minuciosa investigação, no sentido de que todas as informações obtidas serão analisadas com o cuidado exigido por um estudo orientado segundo a teoria de crescimento neoclássica.

Em seguida, apuraremos qual a profundidade da última recessão em relação às anteriores e qual sua velocidade de recuperação. Além disso, vamos mensurar a severidade da crise mais recente por meio da construção de três cenários hipotéticos. Por fim, buscaremos compreender o impacto das crises assinaladas sobre quatro indicadores importantes da atividade econômica, sendo eles, produto por pessoa em idade ativa, produção física industrial, pessoal ocupado e horas pagas.

Data de início: 2019-08-12
Prazo (meses): 24

Participantes:

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Coordenador Mariana Fialho Ferreira
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