TAXA REAL DE CÂMBIO E DIFERENCIAL DE PRODUTIVIDADE: TESTES DO EFEITO BALASSA-SAMUELSON PARA A ECONOMIA BRASILEIRA
Nome: FELIPE EDUARDO MEGALE CORDEIRO
Data de publicação: 20/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CELSO BISSOLI SESSA | Examinador Interno |
| PAULO SERGIO GALA | Examinador Externo |
| RICARDO RAMALHETE MOREIRA | Presidente |
Resumo: Este artigo investiga a validade empírica do efeito Balassa-Samuelson (BS) na economia brasileira no período de 2003 a 2023. Utilizando o arcabouço BEER, conforme Clark & MacDonald (1998), e modelos Autorregressivos com Defasagens Distribuídas (ARDL) com o teste de fronteira (Bound Test), conforme Pesaran et al. (2001), analisa-se a relação de longo prazo entre a taxa real de câmbio (TCR) e os diferenciais de produtividade a partir de diferentes proxies. Os resultados indicam evidência favorável ao efeito BS, porém sensível à métrica adotada. A proxy baseada na Produtividade Total dos Fatores (BSPTF) apresenta coeficientes compatíveis com a hipótese teórica — segundo a qual ganhos de produtividade do país mais produtivo (EUA) frente ao país menos produtivo (Brasil) implicam em depreciação real da taxa de câmbio do país menos produtivo — enquanto as proxies de produtividade do trabalho (BSPROD e BSREPR) exibem sinal incompatível com a teoria, em linha com evidências recentes da literatura internacional (GUBLER; SAX, 2014, 2019). Ademais, constata-se a predominância de fatores financeiros, como o risco global (VIX) e a posição internacional de investimento (PII), sobre os fundamentos reais na determinação da TCR. Conclui-se que, no período analisado, o prêmio de risco exerceu influência superior aos diferenciais de produtividade, sugerindo forte sensibilidade da dinâmica cambial brasileira à volatilidade externa e a fragilidades institucionais.
